Há dois dias soube que uma amiga ia para o estrangeiro. Para
os States. E que o noivo(!) era americano. Noivo? Ela com noivo? Fiquei
perplexo. Assim como saber que está a dias de se mudar de armas e bagagens para
uma nova realidade. Fiquei feliz por ela e dentro de mim cresceu a vontade de
também abalar daqui. Vamos ser frios e realistas: que tem Portugal para dar aos
Portugueses? Ainda mais aqueles que optaram, como eu, por servir o sector
publico? Ter o rótulo de marginal é mais saudável que ser reconhecido na rua
como funcionário público. Tenho orgulho de servir o meu pais, trabalhando para
o bem publico, mas ser apontado como pertencente a um grupo de privilegiados
que deram cabo disto é coisa que me tira do sério. E de repente já me via a
fazer malas e a conhecer um novo mundo, um mundo que há anos atrás eu era feroz
opositor. Sim, eu era anti-States. Contudo, o facto de ter estudado certos
temas (não esquecer que estava a tirar um curso superior de Gestão antes de me
separar há cerca de dois anos) e falar com outras pessoas que conheciam, de uma forma ou outra, a realidade de lá fez-me olhar os States com outros olhos. Isso e
o facto de saber que lá tens outro nível de vida, outro estilo de vida….e saber
também que é um reinicio de vida. Algo que eu pedia desde que sai de casa. A
ideia de começar de novo atraiu-me. Assim como poder fazer algo pela minha
vida, parada desde esse evento estupido. Bem, na realidade parou em 2005, assim
que casei. Enfim. Perdi todo este tempo e não o vou recuperar parado.
Continuando…fiquei entusiasmado com a ida dela para os States e pensei nisso
mesmo também. Limpei o meu CV, tirei-lhe o pó e reajustei-o, esta semana vou
traduzi-lo em Inglês e Espanhol, preparei o meu LinkedIN que estava imóvel desde
a sua criação…mas algo me prende cá: o meu filho. Mas lembrei-me: se ele não
impediu a mãe de se afastar do pai, porque iria impedir o pai de ter mais para
poder dar-lhe?
Em todo o caso, despertou em mim a vontade de sair de
Portugal. Virar costas a um país que apenas espera a extrema unção…um pais
morto e que ainda não recebeu o aviso em casa.
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