Gajas giras não gostam de gajos
gordos. É um facto. Numa sociedade onde cada vez mais se sente a ditadura da
imagem, do físico, não há lugar para os novos marginais: os gordos. Malta que
não cultive o corpo é malta que não interessa…a não ser que tenha algo mais que
seja motivo de interesse a nível superficial. Estar na moda e ter
sempre o gadget do momento, o carro mais "pintas" ou simplemente dois dedos de cara mais giritos dita leis numa sociedade cada vez mais refém de
valores monetários, onde ter dinheiro e bens se sobrepõem na grande maioria dos
casos a todos os tipos de cortesias e educações. Ser feliz nos padrões actuais
é ter um corpo cultivado e não uma mente; é ter gadgets que custam rios de
dinheiro e não saber dar valor ao que tem. De que me vale ter uma mente
cultivada, valores imateriais e educação cuidada se sou gordo e se não estou na
moda em campo algum nos dias de hoje? O gordo é sempre o melhor amigo que se
pode ter…está sempre lá, quando todos os outros mudam de rumo e te deixam para
trás. É o que te levanta e te sacode o pó de cima quando todos os outros já te
atropelaram. Contudo, não é aquele amigo com que se goste de mostrar. No que
toca a amores então…quem melhor para apanhar os cacos que aquele amigo gordo
que sempre se soube que gostou de ti mas a quem sempre trocaste por outro fisicamente
mais interessante ou mais trendy? Não dás oportunidades mas manténs-lhe a
esperança. E quando o gordo avança, puxe-se-lhe o tapete pois já não interessa
ter alguém que queira algo mais em troca. Ao gordo é negado o bom gosto pois
nunca pode atingir o mesmo na sua plenitude. Soma desilusões e ve-lhe subtraídas
esperanças no que toca a cativar beleza. Multiplica-se o grau de dificuldade
sentindo na pele a divisão injusta a que é sujeito. A matemática tem tanto de
belo como de perverso…como neste caso.
É um facto. Gajas giras não
gostam de gajos gordos. Excepto se tiver algo a ganhar para a sua própria
imagem. E sim, sou amargo por saber isso por experiência.
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